Coronavírus: COVID-19

O que sabemos sobre os riscos da infecção por SARS-Cov-2 (COVID-19) na gestante, feto e recém-nascido

Publicada em: 07/05/2020 – BOLETIM #5

Efeitos do COVID-19 em gestantes:

Publicações científicas, somando 38 gestações na China (todas infectadas por SARS-Cov-2 no terceiro trimestre de gravidez), indicam que as grávidas não tiveram sintomas mais graves do que as mulheres que não estão grávidas.1-6 Um relatório da missão conjunta da Organização Mundial da Saúde na China, também observou 147 gestações, sendo 64 confirmadas para o SARS-Cov-2. Doença grave ocorreu em 8% das mulheres, e crítica em 1%. Este relatório conclui que o curso da doença respiratória por SARS-Cov-2 em grávidas não é diferente do restante da população sem outros riscos.2 Um estudo observou maior frequência de complicações maternas em gestantes positivas ou com suspeita de COVID-19 do que no grupo controle. Nenhuma destas complicações foi considerada grave.13

Uma revisão sistemática recente incluiu 18 artigos publicados com um total de 114 gestantes com COVID-19. Todas as infecções foram registradas no terceiro trimestre. As características clínicas da infecção nas mulheres gestantes não foram diferentes de mulheres adultas não gestantes na mesma idade.16,17

Crianças que nasceram de mães com COVID-19 durante a gravidez:

Ainda é cedo para saber se o vírus tem efeito teratogênico (causar anormalidades) no feto. Mas o vírus não foi detectado em testes de líquido amniótico, sangue de cordão umbilical ou secreção de garganta do recém-nascido, o que parece indicar que até o momento não temos evidencia de transmissão intra-uterina (vertical). 6,7,16,17

Um estudo publicado ainda em fevereiro conseguiu testar 9/10 neonatos nascidos de mães chinesas com COVID-19 confirmado no final da gravidez. Todos os testes foram negativos, mas alguns bebês apresentaram complicações neonatais como dificuldade respiratória, prematuridade, febre e trombocitopenia. No momento que o artigo foi publicado, cinco tinham tido alta em bom estado de saúde, um tinha ido a óbito e 4 estavam ainda internados, mas estáveis. 8

Três bebês nascidos de um grupo de 33 gestantes com COVID-19 acompanhadas na China, apresentaram infecção no período neonatal. Todos os três nasceram por cesariana e apresentaram febre e letargia (apatia) durante a primeira semana de vida, mas foram sintomas leves e todos se recuperaram em poucos dias. O RX dos neonatos foi compatível com pneumonia. Coleta de material por swab anais e nasofaríngeos para análise virológica, confirmaram a infecção na primeira semana. Nos três casos os testes virológicos negativaram no sexto dia de vida (2 bebês) e outro no sétimo dia (1 bebê). 9

Um outro artigo também realizado na China, em Wuhan, descreveu quatro casos nascidos de gestantes com infecção por SARS-Cov-2, três dos quais deram consentimento para realização de teste laboratorial. Destes três, nenhum testou positivo para SARS-Cov-2. Todas as mães tiveram a infecção no terceiro trimestre. Nenhum dos quatro neonatos (incluindo o bebê que não foi testado laboratorialmente) teve sintomas como diarreia, febre ou tosse. Apenas um teve dispneia (dificuldade respiratória) que resolveu após três dias de ventilação mecânica não-invasiva (não foi necessário entubar).10

Um caso de recém-nascido na China, teve virologia positiva duas horas após seu nascimento, bem como títulos para IgM (anticorpos) positivos, sendo provavelmente caso de transmissão intra-útero.11

Um artigo descreveu o caso de um neonato de 15 dias de idade positivo para SARS-CoV-212. Ele apresentava febre, letargia, dificuldade respiratória sem tosse e manchas cutâneas. Nasceu por cesariana e os dois pais apresentavam histórico de febre e tosse. O neonato apresentou melhora do quadro e teve alta após 6 dias de internação. Um estudo avaliou 16 gestantes positivas para SARS-CoV-2 e 18 casos suspeitos.13 Observaram mais complicações maternas em gestantes positivas ou com suspeita de COVID-19 do que no grupo controle. Contudo, não foram observaras complicações graves maternas ou neonatais. Além disso, nenhum neonato testou positivo para SARS-CoV-2. Ainda sobre o risco de transmissão materno-fetal, um estudo apresentou dois casos de gestantes positivas para COVID-19, eles não detectaram SARS-CoV-2 em nenhum dos neonatos.14 Além disso, uma revisão de casos de artigos dados oficiais publicados, observou que dentre as gestantes infectadas por SARS-CoV-2 avaliadas, nenhum neonato ou placenta testou positivo para COVID-19.15,16,17

Uma revisão sistemática incluindo artigos publicados até abril de 2020 incluiu 114 gestações  com os seguintes desfechos foram registrados: nascidos mortos (1,2%), morte neonatal (1,2%), parto prematuro (21,3%), peso ao nascimento inferior a 2.500g (5,3%), sofrimento fetal (10,7%) e asfixia neonatal (1,2%).16

Em conclusão, a maioria dos trabalhos mostra que alguns bebês podem ser infectados no momento do parto, mas até o momento não há nenhuma evidencia de transmissão intra-uterina (vertical) comprovada. Os sintomas, nestes recém-nascidos com infecção confirmada foram leves e reversíveis. Todos estavam em boa saúde ao final de uma semana. Um único trabalho mostrou desfechos adversos em bebês sem a infecção o que pode ser decorrente da condição clínica materna no final da gravidez. Houve um óbito de um bebê não infectado.

O que sabemos sobre OUTRAS infeções virais ou outros coronavírus:

Sabemos que infecções por outros tipos de vírus podem causar efeitos adversos, como o vírus da rubéola e o da zika.

Por outro lado, até o momento, os Coronavírus como grupo (o SARS-Cov-2 é um dos vírus deste grupo) não são caracterizados como teratogênicos (causadores de malformações no feto), mas a doença materna pode causar outras complicações.

A febre alta pode causar problemas fetais e deve ser controlada. Na gravidez, a maioria dos antitérmicos é considerada segura, mas os anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno, DEVEM SER EVITADOS no terceiro trimestre, e a preferência é para dipirona e paracetamol.1

Riscos de prematuridade e aborto:

Dados ainda inconclusivos da China indicam que pode haver maior risco de perda gestacional (aborto, natimorto) ou prematuridade. Outros trabalhos não mostraram este desfecho.8,16

Amamentação:

Amostras de leite de algumas poucas mulheres lactantes não detectaram a presença do SARS-Cov-2 no leite materno.6 Mães assintomáticas ou com sintomas leves podem amamentar, mas com uso de medidas de proteção para evitar a transmissão para o bebê. O Ministério da Saúde do Brasil recomenda a manutenção da amamentação em mulheres com COVID-19 desde que tomados cuidados de higienização adequados: (https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/06/Protocolo-de-Manejo-Cl–nico-para-o-Covid-19.pdf)

IMPORTANTE:
É importante salientar que em média 10 a 15% de todas as gestações terminam em perda (abortos) e as malformações congênitas acontecem em 3 a 5% de todos os recém-nascidos. Estes dados são uma média para todas as populações do mundo ao longo dos anos, e chamamos de risco base.

Referências Bibliográficas:

1 Chen D, Yang H, Cao Y, et al. Expert consensus for managing pregnant women and neonates born to mothers with suspected or confirmed novel coronavirus (COVID-19) infection [published online ahead of print, 2020 Mar 20]. Int J Gynaecol Obstet. 2020;10.1002/ijgo.13146. doi:10.1002/ijgo.13146

2 World Health Organization. Report of the WHO-China Joint Mission on Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). Available from: https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/who-china-joint-mission-on-covid-19-final-report.pdf

3 Liu Y, Chen H, Tang K, Guo Y. Clinical manifestations and outcome of SARS-CoV-2 infection during pregnancy [published online ahead of print, 2020 Mar 4]. J Infect. 2020;S0163-4453(20)30109-2. doi:10.1016/j.jinf.2020.02.028

4 Liu D, Li L, Wu X, et al. Pregnancy and Perinatal Outcomes of Women With Coronavirus Disease (COVID-19) Pneumonia: A Preliminary Analysis [published online ahead of print, 2020 Mar 18]. AJR Am J Roentgenol. 2020;1–6. doi:10.2214/AJR.20.23072

5 Schwartz DA. An Analysis of 38 Pregnant Women with COVID-19, Their Newborn Infants, and Maternal-Fetal Transmission of SARS-CoV-2: Maternal Coronavirus Infections and Pregnancy Outcomes [published online ahead of print, 2020 Mar 17]. Arch Pathol Lab Med. 2020;10.5858/arpa.2020-0901-SA. doi:10.5858/arpa.2020-0901-AS

6 Chen H, Guo J, Wang C, Luo F, Yu X, Zhang W, Li J, Zhao D, Xu D, Gong Q, Liao J, Yang H, Hou W, Zhang Y.Clinical characteristics and intrauterine vertical transmission potential of COVID-19 infection in nine pregnant women: a retrospective review of medical records. Lancet. 2020 Mar 7;395(10226):809-815. doi: 10.1016/S0140-6736(20)30360-3.

7 Li Y, Zhao R, Zheng S, et al. Lack of Vertical Transmission of Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2, China. Emerg Infect Dis. 2020;26(6):10.3201/eid2606.200287. doi:10.3201/eid2606.200287

8 Zhu H, Wang L, Fang C, et al.  Clinical analysis of 10 neonates born to mothers with 2019-nCoV pneumonia.  Transl Pediatr. 2020;9(1):51-60. doi:10.21037/tp.2020.02.06

9 Zeng L, Xia S, Yuan W, et al. Neonatal Early-Onset Infection With SARS-CoV-2 in 33 Neonates Born to Mothers With COVID-19 in Wuhan, China [published online ahead of print, 2020 Mar 26]. JAMA Pediatr. 2020;10.1001/jamapediatrics.2020.0878. doi:10.1001/jamapediatrics.2020.0878

10 Chen Y, Peng H, Wang L, Zhao Y, Zeng L, Gao H and Liu Y (2020) Infants Born to Mothers With a New Coronavirus (COVID-19). Front. Pediatr. 8:104. Doi:10.3389/fped.2020.00104

11 Dong L, Tian J, He S, et al. Possible Vertical Transmission of SARS-CoV-2 From an Infected Mother to Her Newborn [published online ahead of print, 2020 Mar 26]. JAMA. 2020;10.1001/jama.2020.4621. doi:10.1001/jama.2020.4621

12Aghdam MK, Jafari N& Eftekhari K. Novel coronavirus in a 15-day-old neonate with clinical signs of sepsis, a case report, Infectious Diseases. [Published online ahead of print, 2020 Apr 1]. Infect Dis. 2020. doi: 10.1080/23744235.2020.1747634

13Li N, Han L,Peng M, et al. Maternal and Neonatal Outcomes of Pregnant Women With COVID-19 Pneumonia: A Case-Control Study. [Published online ahead of print, 2020 Mar 30]. Clin Infect Dis. 2020. doi: 10.1093/cid/ciaa352

14Fan C, Di Lei, Fang C et al. Perinatal Transmission of COVID-19 Associated SARS-CoV-2: Should We Worry? [Published ahead of print, 2020 Mar 17]. Clin Infect Dis. 2020. doi: 10.1093/cid/ciaa226

15Karimi-Zarchi M, Neamatzadeh H,  Dastghei SA et al.Vertical Transmission of Coronavirus Disease 19 (COVID-19) From Infected Pregnant Mothers to Neonates: A Review. [Published online ahead of print, 2020 Apr 2]. Fetal Pediatr Pathol. 2020. doi: 10.1080/15513815.2020.1747120

16Yang Z, Wang M, Zhu Z, Liu Y. Coronavirus disease 2019 (COVID-19) and pregnancy: a systematic review [published online ahead of print, 2020 Apr 30]. J Matern Fetal Neonatal Med. 2020;1‐4. doi:10.1080/14767058.2020.1759541

17Qiancheng X, Jian S, Lingling P, et al. Coronavirus disease 2019 in pregnancy [published online ahead of print, 2020 Apr 27]. Int J Infect Dis. 2020;S1201-9712(20)30280-0. doi:10.1016/j.ijid.2020.04.065

18Wu Y, Liu C, Dong L, et al. Coronavirus disease 2019 among pregnant Chinese women: Case series data on the safety of vaginal birth and breastfeeding [published online ahead of print, 2020 May 5]. BJOG. 2020;10.1111/1471-0528.16276. doi:10.1111/1471-0528.16276

Publicada em: 07/04/2020 – BOLETIM #4

Boa notícia!

Publicações científicas somando 38 gestações na China (todas infectadas por SARS-Cov-2 no terceiro trimestre de gravidez) indicam que as gravidas não tem sintomas mais graves do que as mulheres que não estão grávidas.1-6 Um relatório da missão conjunta da Organização Mundial da Saúde na China, também observou 147 gestações, sendo 64 confirmadas para o SARS-Cov-2. Doença grave ocorreu em 8% das mulheres, e crítica em 1%. Este relatório conclui que o curso da doença respiratória por SARS-Cov-2 em grávidas não é diferente do restante da população sem outros riscos.2 Um estudo observou maior frequência de complicações maternas em gestantes positivas ou com suspeita de COVID-19 do que no grupo controle. Nenhuma destas complicações foi considerada grave13.

Crianças que nasceram de mães com Covid-19 durante a gravidez:

Ainda é cedo para saber se o vírus tem efeito teratogênico (causar anormalidades) no feto. Mas o vírus não foi detectado em alguns poucos testes de líquido amniótico, sangue de cordão umbilical ou secreção de garganta do recém-nascido. 6,7

Um estudo publicado ainda em fevereiro conseguiu testar 9/10 neonatos nascidos de mães chinesas com Covid-19 confirmado no final da gravidez. Todos os testes foram negativos, mas alguns bebês apresentaram complicações neonatais como dificuldade respiratória, prematuridade, febre e trombocitopenia. No momento que o artigo foi publicado, cinco tinham tido alta em bom estado de saúde, um tinha ido a óbito e 4 estavam ainda internados, mas estáveis. 8

Três bebês nascidos de um grupo de 33 gestantes com Covid-19 acompanhadas na China, apresentaram infecção no período neonatal. Todos os três nasceram por cesariana e apresentaram febre e letargia (apatia) durante a primeira semana de vida, mas foram sintomas leves e todos se recuperaram em poucos dias. O RX dos neonatos foi compatível com pneumonia. Coleta de material por swab anais e nasofaríngeos para análise virológica, confirmaram a infecção na primeira semana. Nos três casos os testes virológicos negativaram no sexto dia de vida (2 bebês) e outro no sétimo dia (1 bebê). 9

Um outro artigo também realizado na China, em Wuhan, descreveu quatro casos nascidos de gestantes com infecção por SARS-Cov-2, três dos quais deram consentimento para realização de teste laboratorial. Destes três, nenhum testou positivo para SARS-Cov-2. Todas as mães tiveram a infecção no terceiro trimestre. Nenhum dos quatro neonatos (incluindo o bebê que não foi testado laboratorialmente) teve sintomas como diarreia, febre ou tosse. Apenas um teve dispneia (dificuldade respiratória) que resolveu após três dias de ventilação mecânica não-invasiva (não foi necessário entubar).10

Um caso de recém-nascido na China, teve virologia positiva duas horas após seu nascimento, bem como títulos para IgM (anticorpos) positivos, sendo provavelmente caso de transmissão intra-utero.11

Um artigo descreveu o caso de um neonato de 15 dias de idade positivo para SARS-CoV-212. Ele apresentava febre, letargia, dificuldade respiratória sem tosse e manchas cutâneas. Nasceu por cesariana e os dois pais apresentavam histórico de febre e tosse. O neonato apresentou melhora do quadro e teve alta após 6 dias de internação. Um estudo avaliou 16 gestantes positivas para SARS-CoV-2 e 18 casos suspeitos13. Observaram mais complicações maternas em gestantes positivas ou com suspeita de COVID-19 do que no grupo controle. Contudo, não foram observaras complicações graves maternas ou neonatais. Além disso, nenhum neonato testou positivo para SARS-CoV-2. Ainda sobre o risco de transmissão materno-fetal, um estudo apresentou dois casos de gestantes positivas para COVID-19, eles não detectaram SARS-CoV-2 em nenhum dos neonatos14. Além disso, uma revisão de casos de artigos dados oficiais publicados, observou que dentre as gestantes infectadas por SARS-CoV-2 avaliadas, nenhum neonato ou placenta testou positivo para COVID-1915.

Em conclusão, a maioria dos trabalhos mostra que alguns bebês podem ser infectados no momento do parto. Provável transmissão placentária ainda foi descrita em um único caso de mãe com infecção no final da gravidez. Os sintomas, nestes recém-nascidos com infecção confirmada foram leves e reversíveis. Todos estavam em boa saúde ao final de uma semana. Um único trabalho mostrou desfechos adversos em bebês sem a infecção o que pode ser decorrente da condição clínica materna no final da gravidez. Houve um óbito de um bebê não infectado.

O que sabemos sobre OUTRAS infeções virais ou outros coronavírus:

Sabemos que infecções por outros tipos de vírus podem causar efeitos adversos, como o vírus da rubéola e o da zika. Por outro lado, até o momento, os Coronavirus como grupo (o SARS-Cov-2 é um dos vírus deste grupo) não são caracterizados como teratogênicos (causadores de malformações no feto), mas a doença materna pode causar outras complicações. 5

A febre alta pode causar problemas fetais e deve ser controlada. Na gravidez, a maioria dos antitérmicos é considerada segura, mas os anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno, DEVEM SER EVITADOS no terceiro trimestre, e a preferência é para dipirona e paracetamol.1

Riscos de prematuridade e aborto: Dados ainda inconclusivos da China indicam que pode haver maior risco de perda gestacional (aborto, natimorto) ou prematuridade. Outros trabalhos não mostraram este desfecho.8

Amamentação: Amostras de leite de algumas poucas mulheres lactantes não detectaram a presença do SARS-Cov-2 no leite materno.6 Mães assintomáticas ou com sintomas leves podem amamentar, mas com uso de medidas de proteção para evitar a transmissão para o bebê. O Ministerio da Saude do Brasil recomenda a manutenção da amamentação em mulheres com COVID-19 desde que tomados cuidados de higienização adequados:  (https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/06/Protocolo-de-Manejo-Cl–nico-para-o-Covid-19.pdf)

IMPORTANTE:
É importante salientar que em média 10 a 15% de todas as gestações terminam em perda (abortos) e as malformações congênitas acontecem em 3 a 5% de todos os recém-nascidos. Estes dados são uma média para todas as populações do mundo ao longo dos anos, e chamamos de risco base.

Referências Bibliográficas:

1 Chen D, Yang H, Cao Y, et al. Expert consensus for managing pregnant women and neonates born to mothers with suspected or confirmed novel coronavirus (COVID-19) infection [published online ahead of print, 2020 Mar 20]. Int J Gynaecol Obstet. 2020;10.1002/ijgo.13146. doi:10.1002/ijgo.13146

2 World Health Organization. Report of the WHO-China Joint Mission on Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). Available from: https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/who-china-joint-mission-on-covid-19-final-report.pdf

3 Liu Y, Chen H, Tang K, Guo Y. Clinical manifestations and outcome of SARS-CoV-2 infection during pregnancy [published online ahead of print, 2020 Mar 4]. J Infect. 2020;S0163-4453(20)30109-2. doi:10.1016/j.jinf.2020.02.028

4 Liu D, Li L, Wu X, et al. Pregnancy and Perinatal Outcomes of Women With Coronavirus Disease (COVID-19) Pneumonia: A Preliminary Analysis [published online ahead of print, 2020 Mar 18]. AJR Am J Roentgenol. 2020;1–6. doi:10.2214/AJR.20.23072

5 Schwartz DA. An Analysis of 38 Pregnant Women with COVID-19, Their Newborn Infants, and Maternal-Fetal Transmission of SARS-CoV-2: Maternal Coronavirus Infections and Pregnancy Outcomes [published online ahead of print, 2020 Mar 17]. Arch Pathol Lab Med. 2020;10.5858/arpa.2020-0901-SA. doi:10.5858/arpa.2020-0901-AS

6 Chen H, Guo J, Wang C, Luo F, Yu X, Zhang W, Li J, Zhao D, Xu D, Gong Q, Liao J, Yang H, Hou W, Zhang Y.Clinical characteristics and intrauterine vertical transmission potential of COVID-19 infection in nine pregnant women: a retrospective review of medical records. Lancet. 2020 Mar 7;395(10226):809-815. doi: 10.1016/S0140-6736(20)30360-3.

7 Li Y, Zhao R, Zheng S, et al. Lack of Vertical Transmission of Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2, China. Emerg Infect Dis. 2020;26(6):10.3201/eid2606.200287. doi:10.3201/eid2606.200287

8 Zhu H, Wang L, Fang C, et al.  Clinical analysis of 10 neonates born to mothers with 2019-nCoV pneumonia.  Transl Pediatr. 2020;9(1):51-60. doi:10.21037/tp.2020.02.06

9 Zeng L, Xia S, Yuan W, et al. Neonatal Early-Onset Infection With SARS-CoV-2 in 33 Neonates Born to Mothers With COVID-19 in Wuhan, China [published online ahead of print, 2020 Mar 26]. JAMA Pediatr. 2020;10.1001/jamapediatrics.2020.0878. doi:10.1001/jamapediatrics.2020.0878

10 Chen Y, Peng H, Wang L, Zhao Y, Zeng L, Gao H and Liu Y (2020) Infants Born to Mothers With a New Coronavirus (COVID-19). Front. Pediatr. 8:104. Doi:10.3389/fped.2020.00104

11 Dong L, Tian J, He S, et al. Possible Vertical Transmission of SARS-CoV-2 From an Infected Mother to Her Newborn [published online ahead of print, 2020 Mar 26]. JAMA. 2020;10.1001/jama.2020.4621. doi:10.1001/jama.2020.4621

12Aghdam MK, Jafari N& Eftekhari K. Novel coronavirus in a 15-day-old neonate with clinical signs of sepsis, a case report, Infectious Diseases. [Published online ahead of print, 2020 Apr 1]. Infect Dis. 2020. doi: 10.1080/23744235.2020.1747634

13Li N, Han L,Peng M, et al. Maternal and Neonatal Outcomes of Pregnant Women With COVID-19 Pneumonia: A Case-Control Study. [Published online ahead of print, 2020 Mar 30]. Clin Infect Dis. 2020. doi: 10.1093/cid/ciaa352

14Fan C, Di Lei, Fang C et al. Perinatal Transmission of COVID-19 Associated SARS-CoV-2: Should We Worry? [Published ahead of print, 2020 Mar 17]. Clin Infect Dis. 2020. doi: 10.1093/cid/ciaa226

15Karimi-Zarchi M, Neamatzadeh H,  Dastghei SA et al.Vertical Transmission of Coronavirus Disease 19 (COVID-19) From Infected Pregnant Mothers to Neonates: A Review. [Published online ahead of print, 2020 Apr 2]. Fetal Pediatr Pathol. 2020. doi: 10.1080/15513815.2020.1747120

Publicada em: 27/03/2020 – BOLETIM #3

O que muda em relação ao BOLETIM #2 de 22/03/2020
– atualização sobre bebês nascidos de gestantes com Covid-19 no período do parto – três afetados por Covid-19, todos com sintomas leves que regrediram em poucos dias, sobreviveram, nenhuma malformação. Um caso de possível transmissão vertical transplacentária.

Boa notícia!

Publicações científicas somando 38 gestações na China (todas infectadas por Covid-19 no terceiro trimestre de gravidez) indicam que as grávidas não tem sintomas mais graves do que as mulheres que não estão grávidas.1-6 Um relatório da missão conjunta da Organização Mundial da Saúde na China, também observou 147 gestações, sendo 64 confirmadas para o Covid-19. Doença grave ocorreu em 8% das mulheres, e crítica em 1%. Este relatório conclui que o curso da doença respiratória por Covid-19 em grávidas não é diferente do restante da população sem outros riscos.2

Crianças que nasceram de mães com Covid-19 durante a gravidez: Ainda é cedo para saber se o vírus tem efeito teratogênico (causar defeitos) no feto. Mas o vírus não foi detectado em alguns poucos testes de líquido amniótico, sangue de cordão umbilical ou secreção de garganta do recém-nascido.6,7

Um estudo publicado ainda em fevereiro conseguiu testar 9/10 neonatos nascidos de mães chinesas com Covid-19 confirmado no final da gravidez. Todos os testes foram negativos, mas alguns bebês tiveram complicações neonatais como dificuldade respiratória, prematuridade, febre e trombocitopenia. No momento que o artigo foi publicado, cinco tinham tido alta em bom estado de saúde, um tinha ido a óbito e 4 estavam ainda internados, mas estáveis.8

Três bebês nascidos de um grupo de 33 gestantes com Covid-19 acompanhadas na China, apresentaram infecção no período neonatal. Todos os três nasceram por cesariana e apresentaram febre e letargia durante a primeira semana de vida, mas foram sintomas leves e todos se recuperaram em poucos dias. O RX dos neonatos foi compatível com pneumonia. Coleta de material por swab anais e nasofaríngeos para análise virológica, confirmaram a infecção na primeira semana. Nos três casos os testes virológicos negativaram no sexto dia de vida (2 bebes) e outro no sétimo dia (1 bebê).9

Um outro artigo também realizado na China, em Wuhan, descreveu quatro casos nascidos de gestantes com infecção por Covid-19, três dos quais deram consentimento para realização de teste laboratorial. Destes três, nenhum testou positivo para Covid-19. Todas as mães tiveram a infecção no terceiro trimestre. Nenhum dos quatro neonatos (incluindo o bebê que não foi testado laboratorialmente) teve sintomas como diarreia, febre ou tosse. Apenas um teve dispneia que resolveu após três dias de ventilação mecânica não-invasiva (não foi necessário entubar).10

Um caso de recém-nascido na China, teve virologia positiva duas horas após seu nascimento, bem como títulos para IgM positivos, sendo provavelmente caso de transmissão intra-útero.11

Em conclusão, a maioria dos trabalhos mostra que alguns bebês podem ser infectados no momento do parto. Provável transmissão placentária ainda foi descrita em um único caso de mãe com infecção no final da gravidez. Os sintomas, nestes recém-nascidos com infecção confirmada foram leves e reversíveis. Todos estavam em boa saúde ao final de uma semana. Um único trabalho mostrou desfechos adversos em bebês sem a infecção o que pode ser decorrente da condição clínica materna no final da gravidez. Houve um óbito de um bebê não infectado.

O que sabemos sobre OUTRAS infeções virais ou outros coronavírus: Sabemos que infecções por outros tipos de vírus podem causar efeitos adversos, como o vírus da rubéola e o da zika.

Por outro lado, até o momento, os Coronavírus como grupo (o Covid-19 é um dos vírus deste grupo) não são caracterizados como teratogênicos (causadores de malformações no feto), mas a doença materna pode causar outras complicações. 5

A febre alta pode causar problemas fetais e deve ser controlada. Na gravidez a maioria dos antitérmicos é considerada segura, mas os anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno, DEVEM ser evitados no terceiro trimestre, e a preferência é para dipirona e paracetamol.1

Riscos de prematuridade e aborto: Dados ainda inconclusivos da China indicam que pode haver maior risco de perda gestacional (aborto, natimorto) ou prematuridade. Outros trabalhos não mostraram este desfecho.8

Amamentação: Amostras de leite de algumas poucas mulheres lactantes não detectaram a presença do Covid-19 no leite materno.6

IMPORTANTE:
É importante salientar que em média 10 a 15% de todas as gestações terminam em perda (abortos) e as malformações congênitas acontecem em 3 a 5% de todos os recém-nascidos. Estes dados são uma média para todas as populações do mundo ao longo dos anos, e chamamos de risco base.

Referências Bibliográficas:

1 Chen D, Yang H, Cao Y, et al. Expert consensus for managing pregnant women and neonates born to mothers with suspected or confirmed novel coronavirus (COVID-19) infection [published online ahead of print, 2020 Mar 20]. Int J Gynaecol Obstet. 2020;10.1002/ijgo.13146. doi:10.1002/ijgo.13146

2 World Health Organization. Report of the WHO-China Joint Mission on Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). Available from: https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/who-china-joint-mission-on-covid-19-final-report.pdf

3 Liu Y, Chen H, Tang K, Guo Y. Clinical manifestations and outcome of SARS-CoV-2 infection during pregnancy [published online ahead of print, 2020 Mar 4]. J Infect. 2020;S0163-4453(20)30109-2. doi:10.1016/j.jinf.2020.02.028

4 Liu D, Li L, Wu X, et al. Pregnancy and Perinatal Outcomes of Women With Coronavirus Disease (COVID-19) Pneumonia: A Preliminary Analysis [published online ahead of print, 2020 Mar 18]. AJR Am J Roentgenol. 2020;1–6. doi:10.2214/AJR.20.23072

5 Schwartz DA. An Analysis of 38 Pregnant Women with COVID-19, Their Newborn Infants, and Maternal-Fetal Transmission of SARS-CoV-2: Maternal Coronavirus Infections and Pregnancy Outcomes [published online ahead of print, 2020 Mar 17]. Arch Pathol Lab Med. 2020;10.5858/arpa.2020-0901-SA. doi:10.5858/arpa.2020-0901-AS

6 Chen H, Guo J, Wang C, Luo F, Yu X, Zhang W, Li J, Zhao D, Xu D, Gong Q, Liao J, Yang H, Hou W, Zhang Y.Clinical characteristics and intrauterine vertical transmission potential of COVID-19 infection in nine pregnant women: a retrospective review of medical records. Lancet. 2020 Mar 7;395(10226):809-815. doi: 10.1016/S0140-6736(20)30360-3.

7 Li Y, Zhao R, Zheng S, et al. Lack of Vertical Transmission of Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2, China. Emerg Infect Dis. 2020;26(6):10.3201/eid2606.200287. doi:10.3201/eid2606.200287

8 Zhu H, Wang L, Fang C, et al.  Clinical analysis of 10 neonates born to mothers with 2019-nCoV pneumonia.  Transl Pediatr. 2020;9(1):51-60. doi:10.21037/tp.2020.02.06

9 Zeng L, Xia S, Yuan W, et al. Neonatal Early-Onset Infection With SARS-CoV-2 in 33 Neonates Born to Mothers With COVID-19 in Wuhan, China [published online ahead of print, 2020 Mar 26]. JAMA Pediatr. 2020;10.1001/jamapediatrics.2020.0878. doi:10.1001/jamapediatrics.2020.0878

10 Chen Y, Peng H, Wang L, Zhao Y, Zeng L, Gao H and Liu Y (2020) Infants Born to Mothers With a New Coronavirus (COVID-19). Front. Pediatr. 8:104. Doi:10.3389/fped.2020.00104

11 Dong L, Tian J, He S, et al. Possible Vertical Transmission of SARS-CoV-2 From an Infected Mother to Her Newborn [published online ahead of print, 2020 Mar 26]. JAMA. 2020;10.1001/jama.2020.4621. doi:10.1001/jama.2020.4621

Publicada em: 22/03/2020

Boa notícia!

Publicações científicas somando 38 gestações na China (todas infectadas por Covid-19 no terceiro trimestre de gravidez) indicam que as grávidas não tem sintomas mais graves do que as mulheres que não estão grávidas. Um relatório da missão conjunta da Organização Mundial da Saúde na China, também observou 147 gestações, sendo 64 confirmadas para o Covid-19. Doença grave ocorreu em 8% das mulheres, e crítica em 1%. Este relatório conclui que o curso da doença respiratória por Covid-19 em grávidas não é diferente do restante da população sem outros riscos.

Não sabemos, mas é tranquilizador:
Ainda é cedo para saber se o vírus tem efeito teratogênico (causar defeitos) no feto. Mas o vírus não foi detectado em alguns poucos testes de líquido amniótico, sangue de cordão umbilical ou secreção de garganta do recém-nascido. Em outras palavras, até o momento não há evidência de transmissão vertical (transplacentária) do vírus. Há um único caso de um recém-nascido na Inglaterra (noticiado em um jornal britânico), que tinha teste positivo por Covid-19 minutos após o nascimento de uma mãe infectada.

O que sabemos sobre OUTRAS infecções virais ou outros coronavírus:
Sabemos que infecções por outros tipos de vírus podem causar efeitos adversos, como o vírus da rubéola e o da zika.

Por outro lado, até o momento, os Coronavírus como grupo (o Covid-19 é um dos vírus deste grupo) não são caracterizados como teratogênicos (causadores de malformações no feto), mas a doença materna pode causar outras complicações.

A febre alta pode causar problemas fetais e deve ser controlada. Na gravidez, a maioria dos antitérmicos é considerada segura, mas os anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno, DEVEM ser evitados no terceiro trimestre, e a preferência é para dipirona e paracetamol.

Riscos de prematuridade e aborto:
Dados ainda inconclusivos da China indicam que pode haver maior risco de perda gestacional (aborto, natimorto) ou prematuridade. Outros trabalhos não mostraram este desfecho.

Amamentação:
Amostras de leite de algumas poucas mulheres lactantes não detectaram a presença do Covid-19 no leite materno.

IMPORTANTE:
É importante salientar que em média 10 a 15% de todas as gestações terminam em perda (abortos) e as malformações congênitas acontecem em 3 a 5% de todos os recém-nascidos. Estes dados são uma média para todas as populações do mundo ao longo dos anos, e chamamos de risco base.

Referências principais:

  • Chen D, Yang H, Cao Y, et al. Expert consensus for managing pregnant women and neonates born to mothers with suspected or confirmed novel coronavirus (COVID-19) infection [published online ahead of print, 2020 Mar 20]. Int J Gynaecol Obstet. 2020;10.1002/ijgo.13146. doi:10.1002/ijgo.13146

  • Chen H, Guo J, Wang C, Luo F, Yu X, Zhang W, Li J, Zhao D, Xu D, Gong Q, Liao J, Yang H, Hou W, Zhang Y.Clinical characteristics and intrauterine vertical transmission potential of COVID-19 infection in nine pregnant women: a retrospective review of medical records. Lancet. 2020 Mar 7;395(10226):809-815. doi: 10.1016/S0140-6736(20)30360-3

  • Li Y, Zhao R, Zheng S, et al. Lack of Vertical Transmission of Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2, China [published online ahead of print, 2020 Jun 17]. Emerg Infect Dis. 2020;26(6):10.3201/eid2606.200287. doi:10.3201/eid2606.200287

  • Liu D, Li L, Wu X, et al. Pregnancy and Perinatal Outcomes of Women With Coronavirus Disease (COVID-19) Pneumonia: A Preliminary Analysis [published online ahead of print, 2020 Mar 18]. AJR Am J Roentgenol. 2020;1–6. doi:10.2214/AJR.20.23072

  • Liu Y, Chen H, Tang K, Guo Y. Clinical manifestations and outcome of SARS-CoV-2 infection during pregnancy [published online ahead of print, 2020 Mar 4]. J Infect. 2020;S0163-4453(20)30109-2. doi:10.1016/j.jinf.2020.02.028

  • Schwartz DA. An Analysis of 38 Pregnant Women with COVID-19, Their Newborn Infants, and Maternal-Fetal Transmission of SARS-CoV-2: Maternal Coronavirus Infections and Pregnancy Outcomes [published online ahead of print, 2020 Mar 17]. Arch Pathol Lab Med. 2020;10.5858/arpa.2020-0901-SA. doi:10.5858/arpa.2020-0901-AS

  • World Health Organization. Report of the WHO-China Joint Mission on Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). Available from: https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/who-china-joint-mission-on-covid-19-final-report.pdf

Publicada em: 19/03/2020

Boa notícia!

Relatos vindos da China e Itália indicam que mulheres grávidas NÃO apresentam sintomas mais graves do que as que não estão grávidas.

Não sabemos ao certo, mas é tranquilizador:
Ainda é cedo para saber se o vírus tem efeito teratogênico (causar defeitos) no feto. Mas o vírus não foi detectado em alguns poucos testes de líquido amniótico, sangue de cordão umbilical ou secreção de garganta do recém-nascido. Por outro lado, um recém-nascido na Inglaterra (noticiado em um jornal britânico), tinha teste positivo por Covid-19 minutos após o nascimento de uma mãe infectada.

O que sabemos sobre outras infeções virais ou outros coronavírus:
Sabemos que infecções por outros tipos de vírus podem causar efeitos. Até o momento, os Coronavírus como grupo (o Covid-19 é um dos vírus deste grupo) não são caracterizados como teratogênicos (causadores de malformações no feto), mas a doença materna pode causar outras complicações. A febre pode causar problemas fetais.

Riscos de prematuridade e aborto:
Dados ainda inconclusivos da China indicam que pode haver maior risco de perda gestacional (aborto, natimorto) ou prematuridade.

Amamentação:
Amostras de leite de algumas poucas mulheres lactantes não detectaram a presença do Covid-19 no leite materno.

Importante:
É importante salientar que em média 10 a 15% de todas as gestações terminam em perda (abortos) e as malformações congênitas acontecem em 3 a 5% de todos os recém-nascidos. Estes dados são uma média para todas as populações do mundo, ao longo dos anos, e chamamos de risco base.

Referências principais:

  • LiveScience.com: newborn-has-coronavirus-london https://www.livescience.com/newborn-has-coronavirus-london.html
  • Clinical characteristics and intrauterine vertical transmission potential of COVID-19 infection in nine pregnant women: a retrospective review of medical records. Chen H, Guo J, Wang C, Luo F, Yu X, Zhang W, Li J, Zhao D, Xu D, Gong Q, Liao J, Yang H, Hou W, Zhang Y. Lancet. 2020 Mar 7;395(10226):809-815. doi: 10.1016/S0140-6736(20)30360-3.
  • Yangli Liu , Haihong Chen , Kejing Tang , Yubiao Guo , Clinical manifestations and outcome of SARS-CoV-2 infection during pregnancy, Journal of Infection (2020), doi: https://doi.org/10.1016/j.jinf.2020.02.028
  • Royal college of obstetricians and gynaecologists. COVID-19 Virus Infection and Pregnancy. https://www.rcog.org.uk/en/guidelines-research-services/guidelines/coronavirus-pregnancy/covid-19-virus-infection-and-pregnancy/
  • The American College of Obstetrics and Gynecology. Practice Advisory: Novel Coronavirus 2019 (COVID-19). https://www.acog.org/Clinical-Guidance-and-Publications/Practice-Advisories/Practice-Advisory-Novel-Coronavirus2019?IsMobileSet=false

Veja também informações sobre o uso de medicamentos no tratamento de COVID-19 durante a gravidez.

Atenção:
Estas informações estão sendo atualizadas diariamente e faremos novas edições a cada dia. Neste momento, estamos revisando os protocolos de tratamento em andamento e vamos atualizar em breve sobre segurança/riscos de tratamentos durante a gravidez.

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